O que é inteligência emocional e porque é importante para os líderes de conservação?

No setor da conservação e do ambiente, o nosso trabalho depende de pessoas. E as pessoas são seres emocionais que necessitam de apoio, ligação e relações. No entanto, frequentemente negligenciamos esta parte crítica do nosso trabalho como líderes, focando-nos em vez disso no que consideramos ser estratégico. Neste Leitor, descubra os componentes da inteligência emocional e como ela nos pode ajudar a ser melhores líderes, com cenários reais como exemplos.

18 de abril de 2024

Como um novo líder ou alguém a entrar num ambiente profissional, há frequentemente um forte foco na liderança estratégica. No entanto, é cada vez mais claro que a grande liderança exige não só pensamento estratégico, mas também inteligência emocional. Isto é crucial em todas as equipas.

Então, o que é exatamente a inteligência emocional? É a capacidade de compreender e gerir emoções de forma eficaz, o que é essencial para promover relações fortes e produtivas no local de trabalho. No setor da conservação e do ambiente, o nosso trabalho depende de pessoas. E as pessoas são seres emocionais que necessitam de apoio, ligação e relacionamentos. No entanto, muitas vezes negligenciamos esta parte crítica do nosso trabalho como líderes e focamo-nos em vez disso no que consideramos estratégico. Mas a questão é — a consciência e as competências emocionais são estratégicas! São igualmente importantes para trabalhar com partes interessadas diversas como comunidades locais, doadores, o governo e parceiros, e para navegar em situações complexas.

Fundamentos da Inteligência Emocional

Psicólogo Daniel Goleman identificou estes cinco componentes que podem ajudar líderes ou indivíduos a praticar e a trabalhar para alcançar uma maior inteligência emocional.

  • Autoconsciência Isto envolve identificar as suas emoções e os fatores que as provocam. Essa consciencialização permite-lhe compreender melhor como os outros podem interpretar as suas emoções. Por exemplo, num ambiente profissional, a autoconsciencialização ajuda-o a avaliar como os colegas, supervisores ou parceiros o percecionam.

  • Autorregulação A autorregulação envolve gerir e ajustar as suas emoções para alcançar um resultado positivo, mesmo em momentos de emoções exacerbadas. Manter este controlo é crucial em muitas situações, pois os seus sentimentos podem impactar significativamente os outros.

  • Motivação Motivação refere-se ao impulso e ao entusiasmo para realizar tarefas. Está ligada à inteligência emocional porque as suas motivações podem influenciar os seus sentimentos em relação ao seu trabalho.

  • Empatia A empatia implica compreender e reconhecer as emoções dos outros. Esta perceção ajuda na navegação de cenários no local de trabalho. Por exemplo, se um colega parecer angustiado, reagir com empatia pode ajudar a apoiá-lo a superar qualquer desafio que possa estar a experienciar.

  • Competências Sociais Estas são essenciais para comunicar, colaborar e interagir com os outros. Fortes competências sociais permitem-lhe ouvir, comunicar e resolver conflitos de forma mais eficiente.


Aqui estão alguns cenários da vida real que nos exigem o uso destes cinco componentes da inteligência emocional

Autoconsciência

Um líder da conservação está a receber feedback dos anciãos de uma determinada comunidade sobre uma reunião recente que juntou diferentes aldeias para discutir o conflito entre humanos e vida selvagem. Durante a discussão, os anciãos sentiram que o líder desvalorizou as suas preocupações, que estavam particularmente relacionadas com a destruição de colheitas, e frequentemente os interrompia ou falava por cima deles. Perceberam que o líder prestava mais atenção a indivíduos que tinham sofrido ferimentos ou perda de gado. Os anciãos sentiram que as suas preocupações não eram ouvidas ou levadas a sério. No entanto, o líder sabe que se preocupa igualmente com diferentes tipos de conflito entre humanos e vida selvagem e é um apaixonado pela promoção da coexistência.

Aplicação: Em vez de ficar imediatamente na defensiva, o líder utiliza o autoconhecimento para refletir sobre o seu estilo de comunicação, a forma como falou durante a reunião, a sua linguagem corporal, reconhecendo os seus preconceitos e como o seu comportamento pode ser percebido pelas comunidades. Deve procurar feedback adicional, envolver-se na autorreflexão e ajustar a sua abordagem futura para ser mais aberto, atento e acessível ao discutir questões críticas para as comunidades locais, garantindo que todos os presentes sejam vistos e ouvidos.

Dica: Coloque-se no lugar de outra pessoa. Como está a ser percebido? Como gostaria de ser tratado? As pessoas terão sempre opiniões e experiências distintas, e é importante compreender de onde viemos, considerando também as perspetivas dos outros.

2. Autorregulação →

Um líder de equipa está frustrado e stressado devido a desafios e atrasos no arranque de um projeto, o que leva a impaciência e negativismo nas suas interações com os membros da equipa responsáveis e com os doadores que financiaram o projeto.

Aplicação: Muitos de nós já estivemos nesta situação! Embora seja normal querer reagir imediatamente (e talvez severamente) àqueles envolvidos, o líder da equipa deve praticar a autorregulação, reconhecendo e gerindo as suas emoções. Eles reconhecem que é melhor dar um passo atrás, acalmar-se, recentrar-se e reformular a sua perspetiva. Com uma mente mais calma, podem ver que existem informações ou obstáculos de que não tinham conhecimento e que retardaram a equipa. Isto permite-lhes abordar o problema com uma mentalidade mais clara e superar os desafios para encontrar um caminho adequado. Gerir as emoções neste momento crítico e comunicar de forma eficaz e profissional promove a resiliência e ajuda a evitar prejudicar as relações com todos os envolvidos, incluindo os doadores.

Dica: Está tudo bem em afastar-se e tirar um tempo para regular as suas emoções. Um passeio, respirações profundas, estar em contacto com a natureza – tudo isto pode ajudar a acalmar a mente. Experimente e descubra o que funciona para si.

3. Empatia →

Um Oficial de Monitorização das Pescas tem-se mostrado bastante desinteressado e deprimido recentemente, mas ele provém de uma cultura patriarcal onde os homens raramente falam sobre os seus problemas pessoais. A qualidade dos seus dados sobre pescas diminuiu, ele está a cometer erros básicos e está a ficar defensivo quanto ao seu desempenho sem oferecer uma explicação.

Aplicação: Reconhecendo que o problema de desempenho poderia ter origem em problemas pessoais, o líder de equipa, vindo de uma cultura diferente, decide abordar a situação com cautela. Em vez de confrontar o Oficial de Monitorização das Pescas, envia um colega amigável de uma cultura semelhante para expressar preocupação e oferecer apoio. O colega ouve atentamente a situação, garantindo que encontrarão uma solução em conjunto. Ele age como uma ponte e ajuda o líder de equipa e o Oficial de Monitorização das Pescas a compreenderem as questões centrais, a mostrarem empatia e a elaborarem um plano de apoio.

Dica: Como líder, não tem de resolver todos os problemas. Por vezes, a abordagem mais empática é encontrar a pessoa certa que o pode ajudar. Reconhecer as suas limitações é uma força.

4. Motivação →

Uma organização de conservação está a enfrentar desafios na obtenção de financiamento para os seus projetos devido a vários fatores, incluindo um abrandamento económico e a retirada de alguns doadores-chave. A equipa sente-se desmotivada e incerta quanto ao futuro dos seus esforços de conservação, que trabalharam arduamente para construir. O líder reconhece a importância de manter o moral e a motivação da equipa durante estes tempos difíceis para garantir dedicação e produtividade contínuas.

Aplicação: O líder reconhece o trabalho árduo e a dedicação da equipa, enfatizando a importância das suas contribuições para os esforços de conservação. Ao mesmo tempo que tem o cuidado de não fingir ou minimizar a gravidade da situação, junta a equipa para reconhecer e celebrar as pequenas vitórias, elevando o moral e incutindo um sentido de realização e união. O líder também colabora com a equipa para ajustar os seus objetivos e estabelecer metas claras e alcançáveis com base no financiamento disponível, proporcionando à equipa uma direção e um propósito renovados.

Adicionalmente, o líder mantém uma comunicação aberta e transparente, partilhando atualizações sobre a situação financeira da organização e novas estratégias para garantir financiamento. Ao envolver a equipa nos processos de tomada de decisão e abordar as preocupações organizacionais, o líder constrói confiança e ajuda a aliviar receios.

Dica: Não espere até ter de resolver um problema – procure sempre oportunidades para celebrar vitórias, conectar-se com a sua equipa e fornecer feedback encorajador. A motivação é fundamental no seu papel de líder.

5. Competências Sociais

O Diretor Executivo de uma organização de rede está a liderar a colaboração com diversas partes interessadas, incluindo comunidades locais, ecologistas de pastagens, agências governamentais, outras ONGs, etc., para desenvolver e implementar um projeto de reabilitação de pastagens em larga escala. Este é um projeto de longo prazo, que abrange vários anos, e que necessita não só de muita coordenação interna, mas também de uma grande colaboração externa.

Aplicação: O líder recorre a competências sociais para construir e cultivar relações, promovendo a colaboração e a cooperação. Estabelece canais de comunicação regulares com todas as partes interessadas que vão além dos relatórios programáticos; assegura que o propósito comum, os objetivos partilhados e os valores sejam definidos e ocupem um lugar central nessas conversas. Cria espaço para um diálogo aberto e dá o exemplo de forma eficaz sobre como trazer à tona conflitos, trabalhar de forma colaborativa e atuar como mediador quando necessário. O líder também ajuda a adaptar a comunicação e as abordagens para satisfazer as necessidades e expectativas específicas de cada grupo de partes interessadas, promovendo o trabalho em equipa e a confiança.

Dica: Colaborações são cruciais para alcançar o sucesso na conservação. Concentrar-se nas suas competências sociais ajudará a constituir uma base sólida para formar parcerias duradouras e benéficas.


Tal como qualquer outro aspeto de desenvolvimento pessoal e profissional, é preciso tempo para melhorar de forma consistente e contínua a prática da inteligência emocional. Os líderes devem abraçá-la, aprender e ajustar-se para construir relações mais fortes e criar ambientes de trabalho mais inclusivos, empáticos e produtivos.

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