Colaborações de conservação que funcionam: 10 estratégias para parcerias de sucesso

O sucesso da conservação não pode ser alcançado por uma única organização ou indivíduo. Requer parcerias e colaborações a vários níveis e com diversas organizações. Este Reader destaca as causas do fracasso das parcerias e, mais importante, conselhos de topo sobre como torná-las bem-sucedidas.

5 de outubro de 2023

“Na conservação, não temos muito tempo com a crise climática iminente. Não podemos fazê-lo sozinhos. Precisamos de parcerias, ninguém o consegue fazer sozinho. Precisamos de comunidades locais, do governo, do setor privado e mais. Precisamos de formar parcerias de formas melhores e mais igualitárias, e também de financiar essas parcerias de forma justa. Precisamos de nos inspirar em boas histórias de parcerias para replicarmos o que está a funcionar bem.”

-Wanjira Maathai, Diretora-Geral para África e Parcerias Globais na Instituto de Recursos Mundiais


Na Maliasili, definimos uma parceria como um compromisso de duas ou mais partes para trabalhar em conjunto e alcançar um conjunto de resultados definidos em comum. Esperamos também que os parceiros tenham uma voz igualitária nas discussões e decisões, e que a relação seja mutuamente benéfica para todas as partes.

O sucesso da conservação não pode ser alcançado por uma organização ou indivíduo singular. Requer parcerias e colaborações a vários níveis e com diversas organizações.

Estas parcerias incluem:

  • Parcerias internacionais-locais: Estas envolvem colaborações entre organizações não governamentais internacionais (ONGIs) e organizações locais.

  • Parcerias baseadas na comunidade: Estes envolvem organizações de conservação e comunidades locais a trabalhar em prol de objetivos comuns de conservação e subsistência.

  • Parcerias Governo-ONG: Governos e ONGs unem esforços para desenvolver e implementar políticas, regulamentos e projetos que promovam a conservação.

  • Parcerias público-privadas: Empresas e organizações de conservação trabalham em conjunto para equilibrar a sustentabilidade ambiental com interesses económicos.

  • Parcerias de investigação e académicas: Conservacionistas colaboram com instituições académicas para realizar pesquisas, recolher dados e desenvolver soluções inovadoras.

  • E muitas outras combinações do acima!

Sabemos que as parcerias são vitais, então o que as faz falhar?

Embora a colaboração e as parcerias estratégicas sejam fundamentais para melhorar os resultados da conservação, existem tantas parcerias fracassadas quanto bem-sucedidas. Mas porquê? No nosso relatório mais recente, Enraizar a Mudança, eis o que foi identificado como algumas barreiras a parcerias eficazes.

  • Intenções pouco claras

  • Agendas externas ou agendas que não se alinham

  • Falta de apreço pelo contexto, conhecimento e experiência locais

  • Confusão nos papéis dentro de parcerias específicas

  • Expectativas diferentes

  • Comunicação fraca

  • Falta de partilha significativa de crédito por conquistas

  • Procedimentos administrativos exaustivos e complicados

  • Abordagens de curto prazo para parcerias

  • Falta de confiança e respeito

  • Desequilíbrios de poder

O que corre bem para fazer parcerias funcionarem?

Aqui ficam dicas práticas que podem ajudar a melhorar as suas colaborações existentes e a construir relações mais fortes ao longo do tempo.

Torne as suas parcerias intencionais

O que necessita que a parceria o ajude a alcançar? Uma colaboração bem-sucedida requer o poder da intenção. Explore e identifique as lacunas e oportunidades – comece por avaliar minuciosamente os seus esforços e objetivos, e localize as áreas onde conhecimentos adicionais, financiamento, recursos, colaboração etc., poderiam criar mais impacto. Certifique-se de que aproveitam as forças uns dos outros. Não faça parcerias apenas pelo ‘bem de uma parceria’. Certifique-se de que vale a pena e é valioso para ambas as partes envolvidas.

Concordar num objetivo/objetivos comuns →

Defina uma visão partilhada e objetivos mútuos para a parceria. Garanta que estes objetivos se alinham com a sua missão e visão mais amplas enquanto equipa. Reveja e reavalie estes objetivos regularmente com o seu parceiro para se adaptar a circunstâncias em mudança ou a oportunidades emergentes, garantindo que continuam a ser relevantes e verdadeiros para ambos.

Certifique-se de que tem valores em comum

Quando os valores não estão alinhados, trabalhar em conjunto torna-se difícil. Valores partilhados fornecem uma base ética e moral sólida. Todas as parcerias colocam as pessoas no centro dos esforços de conservação? A responsabilização forte é importante? E quanto ao profissionalismo? Antes de entrar em qualquer parceria, analisar estes tipos de questões é essencial para garantir transparência e alinhamento.

A confiança exige trabalho – não assuma que ela ‘simplesmente acontecerá’

A confiança é a base para qualquer parceria de sucesso – e é importante trabalhar consistentemente para a construir. Cumpre o que diz que vai fazer? Quer dizer aquilo que diz? Cumpre continuamente os seus compromissos de parceria? E quando a confiança é quebrada ou comprometida, é importante unir-se como parceiros e encontrar formas de a reparar. Investir ativamente no que pode ser necessário para construir a confiança é um elemento crítico de colaboração; e muitas vezes negligenciado.

Promover uma facilitação e coordenação competentes

A capacidade de facilitar processos eficazmente é fundamental para uma colaboração bem-sucedida. Gerir a dinâmica de grupo – construir confiança e relações entre os participantes, bem como criar um espaço para diferentes atores com diferentes níveis de poder e perspetivas – requer habilidade e deve ser um investimento.

Clarificar papéis e responsabilidades

Definir claramente os papéis e responsabilidades de cada parceiro dentro da colaboração para evitar ambiguidades e duplicação de funções. Sempre que possível, criar um acordo de parceria ou um memorando de entendimento (MOU) que delineie estes papéis, responsabilidades e expectativas.

Priorizar comunicações →

A comunicação aberta, rotineira e transparente é a base das parcerias de trabalho. Estabeleça canais regulares de comunicação e incentive todos os parceiros a trocar atualizações, discutir desafios e celebrar sucessos. Adapte-se para utilizar os melhores métodos para todos os parceiros envolvidos, a fim de garantir um fluxo de informação regular e fácil, por exemplo, WhatsApp, emails, chamadas telefónicas, videochamadas, etc. Promova uma cultura de confiança e cooperação ouvindo ativamente os pontos de vista uns dos outros e respondendo ao feedback.

Incentivar a inovação e a criatividade

Nem todas as parcerias devem ter o mesmo aspeto ou a mesma forma – esteja aberto a explorar novas abordagens e ideias não convencionais, e promova um ambiente que inspire inovação e resolução criativa de problemas dentro da parceria. A flexibilidade é essencial; adapte-se às circunstâncias em mudança e mude de rumo quando necessário. Adote uma cultura de aprendizagem, tanto de sucessos como de contratempos.

Cultive relacionamentos, não transações →

Encare as parcerias como relações duradouras, não como transações de curto prazo. Invista em construir confiança e respeito mútuo. Celebrem as conquistas em conjunto e reconheça as contribuições de cada parceiro. Compreenda que cultivar relações duradouras exige tempo e dedicação.

Monitorizar, avaliar, adaptar e crescer →

Estabelecer formas partilhadas de medir e reportar o sucesso para avaliar o progresso e o impacto da parceria. Avaliar rotineiramente a eficácia da parceria – estão a alcançar o que se propuseram alcançar? Se não, quais são os desafios? Que novas aprendizagens estão a surgir? Se a parceria está a progredir bem, o que está a ajudar a alcançar isto e como podem sustentá-la?

Todos sabemos que as parcerias não são fáceis, e muitas exigem um compromisso a longo prazo. Isto exige que as organizações se mantenham adaptáveis e abertas à mudança à medida que a parceria evolui. Certifique-se de dar e receber feedback constante, e mantenha-se aberto a expandir parcerias para explorar novos capítulos.


Uma lista de verificação para parcerias eficazes

Esta ferramenta de Enraizar a Mudança pode ajudá-lo a iniciar o processo de pensamento sobre como abordar e sustentar parcerias significativas e eficazes.

Mais sobre Raízes para a Mudança

O relatório recentemente divulgado pela Maliasili – Enraizar a Mudança – foca-se na relação e nas parcerias entre ONGs internacionais e OSCs locais.

Documenta e partilha as perspetivas e ideias de líderes de organizações locais africanas de conservação sobre como as parcerias podem ser fortalecidas com organizações internacionais.

Este relatório contém recomendações claras e específicas sobre como as ONG internacionais e as OSC locais podem tornar-se melhores parceiros para alcançar melhores resultados globais de conservação.

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