O sucesso da conservação não pode ser alcançado por uma única organização ou indivíduo. Requer parcerias e colaborações a vários níveis e com diversas organizações. Este Reader destaca as causas do fracasso das parcerias e, mais importante, conselhos de topo sobre como torná-las bem-sucedidas.

-Wanjira Maathai, Diretora-Geral para África e Parcerias Globais na Instituto de Recursos Mundiais
Na Maliasili, definimos uma parceria como um compromisso de duas ou mais partes para trabalhar em conjunto e alcançar um conjunto de resultados definidos em comum. Esperamos também que os parceiros tenham uma voz igualitária nas discussões e decisões, e que a relação seja mutuamente benéfica para todas as partes.
O sucesso da conservação não pode ser alcançado por uma organização ou indivíduo singular. Requer parcerias e colaborações a vários níveis e com diversas organizações.
Estas parcerias incluem:
Parcerias internacionais-locais: Estas envolvem colaborações entre organizações não governamentais internacionais (ONGIs) e organizações locais.
Parcerias baseadas na comunidade: Estes envolvem organizações de conservação e comunidades locais a trabalhar em prol de objetivos comuns de conservação e subsistência.
Parcerias Governo-ONG: Governos e ONGs unem esforços para desenvolver e implementar políticas, regulamentos e projetos que promovam a conservação.
Parcerias público-privadas: Empresas e organizações de conservação trabalham em conjunto para equilibrar a sustentabilidade ambiental com interesses económicos.
Parcerias de investigação e académicas: Conservacionistas colaboram com instituições académicas para realizar pesquisas, recolher dados e desenvolver soluções inovadoras.
E muitas outras combinações do acima!
Embora a colaboração e as parcerias estratégicas sejam fundamentais para melhorar os resultados da conservação, existem tantas parcerias fracassadas quanto bem-sucedidas. Mas porquê? No nosso relatório mais recente, Enraizar a Mudança, eis o que foi identificado como algumas barreiras a parcerias eficazes.
Intenções pouco claras
Agendas externas ou agendas que não se alinham
Falta de apreço pelo contexto, conhecimento e experiência locais
Confusão nos papéis dentro de parcerias específicas
Expectativas diferentes
Comunicação fraca
Falta de partilha significativa de crédito por conquistas
Procedimentos administrativos exaustivos e complicados
Abordagens de curto prazo para parcerias
Falta de confiança e respeito
Desequilíbrios de poder

Aqui ficam dicas práticas que podem ajudar a melhorar as suas colaborações existentes e a construir relações mais fortes ao longo do tempo.
O que necessita que a parceria o ajude a alcançar? Uma colaboração bem-sucedida requer o poder da intenção. Explore e identifique as lacunas e oportunidades – comece por avaliar minuciosamente os seus esforços e objetivos, e localize as áreas onde conhecimentos adicionais, financiamento, recursos, colaboração etc., poderiam criar mais impacto. Certifique-se de que aproveitam as forças uns dos outros. Não faça parcerias apenas pelo ‘bem de uma parceria’. Certifique-se de que vale a pena e é valioso para ambas as partes envolvidas.
Defina uma visão partilhada e objetivos mútuos para a parceria. Garanta que estes objetivos se alinham com a sua missão e visão mais amplas enquanto equipa. Reveja e reavalie estes objetivos regularmente com o seu parceiro para se adaptar a circunstâncias em mudança ou a oportunidades emergentes, garantindo que continuam a ser relevantes e verdadeiros para ambos.
Quando os valores não estão alinhados, trabalhar em conjunto torna-se difícil. Valores partilhados fornecem uma base ética e moral sólida. Todas as parcerias colocam as pessoas no centro dos esforços de conservação? A responsabilização forte é importante? E quanto ao profissionalismo? Antes de entrar em qualquer parceria, analisar estes tipos de questões é essencial para garantir transparência e alinhamento.
A confiança é a base para qualquer parceria de sucesso – e é importante trabalhar consistentemente para a construir. Cumpre o que diz que vai fazer? Quer dizer aquilo que diz? Cumpre continuamente os seus compromissos de parceria? E quando a confiança é quebrada ou comprometida, é importante unir-se como parceiros e encontrar formas de a reparar. Investir ativamente no que pode ser necessário para construir a confiança é um elemento crítico de colaboração; e muitas vezes negligenciado.
A capacidade de facilitar processos eficazmente é fundamental para uma colaboração bem-sucedida. Gerir a dinâmica de grupo – construir confiança e relações entre os participantes, bem como criar um espaço para diferentes atores com diferentes níveis de poder e perspetivas – requer habilidade e deve ser um investimento.
Definir claramente os papéis e responsabilidades de cada parceiro dentro da colaboração para evitar ambiguidades e duplicação de funções. Sempre que possível, criar um acordo de parceria ou um memorando de entendimento (MOU) que delineie estes papéis, responsabilidades e expectativas.
A comunicação aberta, rotineira e transparente é a base das parcerias de trabalho. Estabeleça canais regulares de comunicação e incentive todos os parceiros a trocar atualizações, discutir desafios e celebrar sucessos. Adapte-se para utilizar os melhores métodos para todos os parceiros envolvidos, a fim de garantir um fluxo de informação regular e fácil, por exemplo, WhatsApp, emails, chamadas telefónicas, videochamadas, etc. Promova uma cultura de confiança e cooperação ouvindo ativamente os pontos de vista uns dos outros e respondendo ao feedback.
Nem todas as parcerias devem ter o mesmo aspeto ou a mesma forma – esteja aberto a explorar novas abordagens e ideias não convencionais, e promova um ambiente que inspire inovação e resolução criativa de problemas dentro da parceria. A flexibilidade é essencial; adapte-se às circunstâncias em mudança e mude de rumo quando necessário. Adote uma cultura de aprendizagem, tanto de sucessos como de contratempos.
Encare as parcerias como relações duradouras, não como transações de curto prazo. Invista em construir confiança e respeito mútuo. Celebrem as conquistas em conjunto e reconheça as contribuições de cada parceiro. Compreenda que cultivar relações duradouras exige tempo e dedicação.
Estabelecer formas partilhadas de medir e reportar o sucesso para avaliar o progresso e o impacto da parceria. Avaliar rotineiramente a eficácia da parceria – estão a alcançar o que se propuseram alcançar? Se não, quais são os desafios? Que novas aprendizagens estão a surgir? Se a parceria está a progredir bem, o que está a ajudar a alcançar isto e como podem sustentá-la?
Todos sabemos que as parcerias não são fáceis, e muitas exigem um compromisso a longo prazo. Isto exige que as organizações se mantenham adaptáveis e abertas à mudança à medida que a parceria evolui. Certifique-se de dar e receber feedback constante, e mantenha-se aberto a expandir parcerias para explorar novos capítulos.
Esta ferramenta de Enraizar a Mudança pode ajudá-lo a iniciar o processo de pensamento sobre como abordar e sustentar parcerias significativas e eficazes.

O relatório recentemente divulgado pela Maliasili – Enraizar a Mudança – foca-se na relação e nas parcerias entre ONGs internacionais e OSCs locais.
Documenta e partilha as perspetivas e ideias de líderes de organizações locais africanas de conservação sobre como as parcerias podem ser fortalecidas com organizações internacionais.
Este relatório contém recomendações claras e específicas sobre como as ONG internacionais e as OSC locais podem tornar-se melhores parceiros para alcançar melhores resultados globais de conservação.